crescer-pode-doer-modelo-de-imagem-quadradaÉ hora de dormir e nosso filho já está “sonecando” – que alívio!

Tudo vai bem, quando subitamente um choro de dor, vindo do quarto do pequeno, faz nosso coração disparar: o que está acontecendo?

Foi dada a largada para os 100 metros rasos… uma corrida que parece não ter fim.

Nosso filho, aquele ser que nos parece tão indefeso, começa a mostrar com seu jeitinho que está com dor muito forte nas pernas. O que fazer?

Nós, pais, aflitos, começamos a procurar sinais de machucado, de alguma batida que possam ter dado nas pernas no decorrer do dia ou até mesmo alguma picada de inseto, mas logo percebemos que não há sinal algum de vermelhidão, “roxo” ou de inchaço.

Partimos então para verificar a temperatura da criança e mais uma vez nada – sem febre!

Quase que por instinto começamos a fazer massagens nas perninhas do filhote e em poucos minutos ele volta a dormir tranquilo e acorda muito bem de manhã, pronto para brincar e pular. Afinal, o que aconteceu?

São as chamadas Dores de Crescimento.

É uma situação relativamente comum no ramo da pediatria e reumatologia pediátrica. Geralmente, os pais descrevem aos médicos que seu filho foi dormir bem, acordou chorando durante a noite com dor nas pernas, solicitando a presença da mãe ou do pai e que, após massagem feita nas mesmas, acalmou-se e tornou a dormir acordando bem e pronto para suas atividades normais no dia seguinte.

As dores são mais frequentes nas pernas, na região anterior das coxas e “batata da perna”. Tais dores não estão associadas à inflamação, vermelhidão, e podem ser diárias ou esporádicas. Normalmente, não são de longa duração e nem têm relação direta com o esforço físico.

Essa é uma situação muito comum e vários estudos mostram que cerca de 30% das crianças entre três e doze anos podem apresentar dores nas pernas ou nos braços, sem qualquer causa aparente. Pode acontecer igualmente em meninos e em meninas.

Por que essas dores acontecem?

Há várias hipóteses sobre as causas das chamadas dores do crescimento. Normalmente, não é o osso que dói e sim os músculos. Em geral, trata-se de um desequilíbrio no ritmo de crescimento dos ossos, dos tendões e dos músculos. Uma estrutura pode se desenvolver de forma mais acelerada que a outra. Geralmente os ossos crescem de forma mais “rápida” e os músculos ficam tão “esticados” que começam a doer… com o tempo vão se adaptando também.

As crianças, principalmente nas fases de crescimento mais rápido, também chamados períodos de estirão, podem ter seus tendões tensionados e, por esse motivo, as dores são mais comuns nos locais de ossos longos, como pernas e braços.

Muitas vezes, observamos que essas crianças são, em geral, filhas de pais que também tiveram quadros semelhantes durante a infância – pode ser um fator hereditário!

Também podemos notar alguma associação com situações emocionais, como o nascimento de um irmão, a entrada na escola, quando, a mãe começa a trabalhar, ou durante algum conflito familiar. São alguns exemplos de circunstâncias que contribuem para o surgimento de dores como essas. Merece uma atenção especial, afinal sabemos que nas situações mencionadas a somatização é comum nas crianças (dor emocional virar dor física).

O importante a ser feito é excluir quaisquer outras possibilidades diagnósticas através de uma avaliação médica.
Depois de se confirmar o devido diagnóstico, é importante saber que se trata de uma condição passageira da fase do crescimento da criança. Alguns médicos optam por prescrever analgésicos para os períodos de maior dor, massagens e calor local.

Deve ser retirado o rótulo de “criança doente” e a família deve passar a administrar as crises dentro de uma atmosfera de tranqüilidade e naturalidade para a criança.

Crescer dói, em vários aspectos, mas é necessário e saudável. Cabe a nós, pais, fazer do crescimento uma “jornada” de amor e acolhimento!

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